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Polícia Civil investiga prefeito de Parauapebas por fala contra religiões

Declarações feitas em evento na Câmara geram denúncias, protestos e pedido de retratação pública

A Polícia Civil do Pará abriu uma investigação para apurar declarações consideradas discriminatórias feitas pelo prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano (Avante), contra religiões de matriz africana. O inquérito foi instaurado após denúncia da Federação Espírita Umbandista dos Cultos Afros Brasileiros do Estado do Pará (Feucabep), protocolada no Ministério da Igualdade Racial, na polícia e na Promotoria de Justiça local.

As falas ocorreram durante uma sessão solene na Câmara Municipal, no dia 11 de junho, em homenagem ao Dia Municipal do Evangélico. Na ocasião, o prefeito declarou:

“Esse prefeito é terrivelmente temente a Deus. Se as religiões de matriz africanas precisarem do apoio da prefeitura, a Coordenação de Assuntos Religiosos está de portas abertas e um pastor irá recebê-los e ainda vai dizer: Jesus salva, Jesus cura e se liga para você não ir para o inferno!”.

Declarações feitas em evento na Câmara geram denúncias, protestos e pedido de retratação pública

Além disso, afirmou não acreditar “em nada mais do que Jesus Cristo” e chamou o pastor responsável pela coordenação de Assuntos Religiosos de “matador de demônios”.

Entidades reagem e exigem respeito: A líder religiosa Vitória Baía, mãe de santo e representante da Feucabep, classificou as falas como incitação ao ódio e violação da laicidade do Estado. Segundo ela, só na região dos Carajás existem cerca de 287 casas de axé.“Estamos em um país laico e merecemos respeito. É vergonhoso uma pessoa que não entende da nossa religião impor isso ao povo”, disse Vitória.

Declarações feitas em evento na Câmara geram denúncias, protestos e pedido de retratação pública

Câmara repudia declarações e cobra retratação: A Câmara Municipal de Parauapebas também repudiou o discurso do prefeito, chamando-o de “inaceitável” e “incompatível com os deveres constitucionais”. Em nota, os vereadores exigem uma retratação pública com ampla divulgação, direcionada às comunidades impactadas e à sociedade em geral. Até esta quinta-feira (19), o prefeito Aurélio Goiano e a Prefeitura de Parauapebas não haviam se manifestado sobre o caso. (A Notícia Portal com informações Valéria Martins, Madson Santos, g1 Pará/Foto: Reprodução)

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