Ocomandante da Guarda Revolucionária do Irã alertou nesta quinta-feira Israel e os Estados Unidos contra “erros de cálculo” em meio aos protestos em massa, afirmando que a força estava “com o dedo no gatilho”. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou repetidamente em aberto a possibilidade de uma nova ação militar contra a república islâmica, depois de Washington ter apoiado e participado da guerra de 12 dias de Israel em junho.

Duas semanas de protestos, iniciadas no final de dezembro, abalaram a liderança clerical sob o comando do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, mas o movimento perdeu força diante da repressão que, segundo ativistas, deixou milhares de mortos.
O comandante da Guarda Revolucionária, General Mohammad Pakpour, alertou Israel e os Estados Unidos para que “evitem quaisquer erros de cálculo, aprendendo com as experiências históricas e com o que aprenderam na guerra imposta de 12 dias, para que não enfrentem um destino mais doloroso e lamentável”.
“A Guarda Revolucionária Islâmica e o querido Irã estão com o dedo no gatilho, mais preparados do que nunca, prontos para cumprir as ordens e medidas do comandante supremo em chefe – um líder mais querido do que suas próprias vidas”, disse ele, referindo-se a Khamenei.
Seus comentários constavam em uma declaração escrita citada pela televisão estatal, em comemoração ao dia nacional iraniano dedicado à Guarda Revolucionária, uma força cuja missão é proteger a revolução islâmica de 1979 de ameaças internas e externas.
Ativistas acusam a Guarda Revolucionária de desempenhar um papel fundamental na repressão violenta aos protestos organizados no país. O grupo é considerado uma entidade terrorista por países como Austrália, Canadá e Estados Unidos, e ativistas há muito tempo pressionam a União Europeia e o Reino Unido a adotarem medidas semelhantes.
Pakpour assumiu o comando da Guarda Revolucionária no ano passado, depois que seu antecessor, Hossein Salami, foi uma das várias figuras militares importantes mortas em um ataque israelense durante a guerra de 12 dias, perdas que revelaram a profunda infiltração da inteligência israelense na república islâmica.
Irã estuda mudar capital para ‘paraíso perdido’
Ao divulgarem seu primeiro balanço oficial dos protestos, as autoridades iranianas informaram na quarta-feira que 3.117 pessoas foram mortas. A declaração da fundação da república islâmica para mártires e veteranos procurou estabelecer uma distinção entre “mártires”, que, segundo ela, eram membros das forças de segurança e civis inocentes, e o que descreveu como “manifestantes violentos” apoiados pelos EUA.
Das 3.117 vítimas, 2.427 foram consideradas mártires. No entanto, grupos de direitos humanos afirmam que o elevado número de vítimas foi causado por disparos diretos das forças de segurança contra os manifestantes e que o número real de mortos pode ser muito maior, chegando a mais de 20 mil.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente israelense Isaac Herzog afirmou que “o futuro do povo iraniano só pode estar em uma mudança de regime”, acrescentando que “o regime do aiatolá encontra-se em uma situação bastante frágil”. ( A Notícia Portal com informações do 360 Regional/ Foto: Atta Kenare AFP)




