Pará

15 de Agosto; Adesão do Pará e colonização da Amazônia

De 1621 à 1823 o domínio português na Amazônia, inicialmente sob o nome de Maranhão e, mais tarde, sob o nome de Grão-Pará, se manteve na prática como um território autônomo do Brasil

Praticamente não havia Amazônia do lado português da Linha de Tordesilhas.

Amazônia é um termo colonial, não originário. Atribuído por um militar e genocida espanhol a partir do grego Αμαζόνες (amazónes – “sem seios”), evidenciando a transposição, para a outra margem do Atlântico, do mesmo olhar colonial que na antiguidade foi lançado sobre o Povo Cita na Ásia e que hoje ainda é lançado sobre nós, Povos Indígenas de Abya Yala (América).

Assim, a mal chamada Amazônia Brasileira, desde sempre, tem merecido o tratamento reservado aos espólios da ofensiva colonial do Estado Brasileiro sobre territórios indígenas, as custas do derramamento de um mar de sangue nativo, que segue correndo silenciado sob a floresta devastada.

Praticamente não havia Amazônia do lado português da Linha de Tordesilhas. Com exceção de uma porção do território do atual Maranhão, não fizemos parte das Capitanias Hereditárias. A conquista da Amazônia pela Coroa Lusitana só começou com a expulsão dos franceses de Upaon-Açu (São Luís-MA), mais de um século após Cabral aportar em “Porto Seguro”. Este domínio português só seria consolidado com o genocídio que se seguiu ao Levante dos Tupinambás, ainda no início do século XVII.

De 1621 à 1823 o domínio português na Amazônia, inicialmente sob o nome de Maranhão e, mais tarde, sob o nome de Grão-Pará, se manteve na prática como um território autônomo do Brasil, respondendo diretamente à Coroa Lusitana, ao ponto que a anexação formal da Amazônia ao recém-nascido Império do Brasil exigiria quase um ano de negociações e ameaças. E o domínio brasileiro da região só seria consolidado em 1840, com a violenta repressão à Cabanagem, o levante indígena que resultou na mais sangrenta das “Revoltas Regenciais”.

Tal é a importância da Adesão do Grão-Pará à Independência do Brasil, que celebramos neste 15 de Agosto, não como festa, mas como memória da resistência ancestral contra o saque colonial de nossas riquezas, que persiste em ameaças como a Ferrogrão, o garimpo e a exploração de petróleo na foz do Amazonas. É nosso dever lembrar e dar continuidade a esta luta. Sawé! (A Notícia Portal com informações de Teko Ativismo e Porake)

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