Tucumã

Crise no cacau e do leite leva produtores a planejar bloqueio da PA-279 no sul do Pará

Ato está previsto para o dia 7 de fevereiro e protesta contra queda no preço do cacau, importações sem controle e falta de políticas públicas; movimento também deve incorporar pautas da cadeia do leite

Produtores de cacau do sul do Pará articulam uma grande manifestação com possível interdição da rodovia PA-279, no trecho entre os municípios de Tucumã e São Félix do Xingu, ou em Ourilândia do Norte, prevista para o próximo dia 7 de fevereiro. O movimento é organizado pela Associação dos Cacauicultores e Cacauicultoras da PA-279 e reúne produtores da região que denunciam a queda acentuada no preço do cacau, a entrada de produto importado sem critérios e a ausência de políticas públicas efetivas para o setor.

Segundo Erivaldo Alves, o principal motivo da mobilização é o colapso econômico enfrentado pelos produtores. Em 2024, o preço do quilo do cacau chegou a R$ 65, mas atualmente a média nacional caiu para cerca de R$ 15. Em Tucumã, onde o produto possui qualidade diferenciada, o valor pago gira em torno de R$ 19, ainda assim insuficiente para cobrir os custos.

De acordo com o 1º secretário da associação, Erivaldo Alves, a mobilização vem sendo discutida por meio de grupos de WhatsApp criados para unificar as pautas e ampliar o diálogo entre os produtores. Antes da manifestação, está marcada para esta segunda-feira uma reunião entre a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) e a diretoria da associação regional, quando será definido o ponto central de fechamento da rodovia e os encaminhamentos do protesto.

Preço do cacau não cobre custos de produção

Segundo Erivaldo Alves, o principal motivo da mobilização é o colapso econômico enfrentado pelos produtores. Em 2024, o preço do quilo do cacau chegou a R$ 65, mas atualmente a média nacional caiu para cerca de R$ 15. Em Tucumã, onde o produto possui qualidade diferenciada, o valor pago gira em torno de R$ 19, ainda assim insuficiente para cobrir os custos.

Dados da Conab apontam que, em 2025, o custo médio para produzir um quilo de cacau no Pará é de R$ 15. Em municípios como Uruará, o produto já é comercializado a R$ 13, gerando prejuízo direto ao produtor. “A conta não fecha. Gastamos mais para produzir do que recebemos na venda”, afirma Erivaldo.

Críticas à importação de cacau africano

Outro ponto central da manifestação é a crítica à importação de cacau africano, que, segundo os produtores, entra no Brasil sem os mesmos critérios exigidos da produção nacional. O setor denuncia a ausência de controle fitossanitário e de exigências relacionadas ao combate ao trabalho infantil, trabalho escravo e danos ambientais.

“Enquanto o cacau brasileiro precisa cumprir uma série de exigências, o produto de fora entra sem nenhuma delas. Isso é uma contradição e serve apenas para derrubar o preço do cacau nacional”, destacou o dirigente. O movimento cobra que qualquer importação siga os mesmos padrões exigidos no Brasil ou que seja suspensa.

Impacto econômico atinge toda a região

A crise da cacaicultura, segundo os produtores, vai além das propriedades rurais e já afeta diretamente a economia regional. Municípios como Tucumã, Ourilândia do Norte e São Félix do Xingu têm na produção de cacau uma de suas principais atividades econômicas.

Somente em 2025, estima-se que R$ 350 milhões deixaram de circular na economia local em função da queda nos preços. O impacto atinge o comércio, casas agropecuárias, supermercados, lojas de veículos e diversos outros setores.

Pautas do leite também entram na mobilização

A manifestação também está aberta para receber pautas da Cooperativa de Leite de Tucumã (Cooleite). O setor leiteiro enfrenta cenário semelhante, com queda no preço pago ao produtor e redução da produção, o que já contribuiu para o fechamento de laticínios em Tucumã e Ourilândia do Norte.

Na década de 1990, Tucumã chegou a ter uma das maiores bacias leiteiras do Pará. “Quem tem leite, também tem cacau. A luta é conjunta”, reforça Erivaldo.

Cobrança ao Governo Federal e aos municípios

Os produtores cobram ações do Governo Federal, do Congresso Nacional e também das prefeituras da região, que, segundo o movimento, têm deixado a desejar na valorização de políticas de incentivo e infraestrutura para o homem do campo.

Entre as reivindicações estão a aprovação de projetos de lei que fortaleçam a cacaicultura, políticas públicas para garantir a autossuficiência nacional e medidas que valorizem a produção local. “A cacaicultura está agonizando. Não queremos cacau de fora, queremos política pública”, conclui o dirigente.

A expectativa é de que a manifestação reúna produtores de vários municípios do sul do Pará e ganhe força nos próximos dias. (Roney Braga A Notícia Portal/ Foto: Divulga.ção)

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