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Petróleo e coronavírus na mira dos exportadores de carne

Segunda-feira foi marcada pelo colapso no mercado financeiro global, por causa da guerra de preços do petróleo e da proliferação da doença que leva o mundo a um estado de alerta

Foto Divulgação

O mercado do boi gordo abriu a segunda semana de março em compasso de espera, com preços da boiada oscilando mais ou menos, dependendo da praça de comercialização.

No entanto, as apostas no mercado continuam apontando tendência altista para a arroba no curtíssimo prazo.

As informações recentes de que os fluxos de cargas nos portos chineses começam a se normalizar – depois dos problemas estruturais (falta de mão de obra, por exemplo) ocasionados pela novo coronavírus – podem impulsionar novamente as exportações brasileiras de carne bovina, elevando, assim, a procura (e os preços) pela matéria-prima (boi gordo) no Brasil.

“A notícia aumenta a expectativa de que o gigante asiático volte às compras de commodities brasileiras, principalmente carne bovina, o que pode dar um ânimo nas cotações”, avaliam analistas da consultoria Agrifatto.

No entanto, esta segunda-feira foi marcada pelo colapso no mercado financeiro global, devido à proliferação mundial do novo coronavírus e à guerra de preços do petróleo. No Brasil, o índice Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, despencou, enquanto o dólar teve novamente forte aumento. Com isso, o risco-país teve alta recorde.

A despeito das turbulências na economia, alguns pecuaristas parecem estar mais dispostos a liquidar boiada gorda e investir na reposição de gado, já de olho nas boas condições de pastagem, de acordo com opinião de analistas da Informa Economics FNP. No entanto, diz a consultoria, a maior parte das indústrias diminuiu a sua atuação no mercado físico, após preencher suas programações de abate. “As dificuldades em repassar o aumento dos preços do animal terminado ao atacado da carne bovina contribuem para um menor fluxo de negociações”, avalia a FNP.

Neste contexto, os preços do boi gordo oscilaram de modo distinto nesta segunda-feira. No Mato Grosso do Sul, segundo apurou a consultoria, as cotações da arroba apresentaram ajustes positivos, sustentados pela atuação de frigoríficos paulistas, que, por sua vez, evitam efetivar maiores acordos com boiada originada em São Paulo diante dos preços mais altos. Na região de Três Lagoas, MS, a boiada gorda é negociada a R$ 190/@, a prazo.

No Mato Grosso, os preços do boi gordo também apresentaram altas neste primeiro dia da semana. As boas condições de pastagem incentivam a retenção de gado por parte dos produtores mato-grossenses. Ao mesmo tempo, relata a FNP, nota-se uma firme atuação de frigoríficos locais com foco nas vendas de carne bovina ao mercado externo. Em Cáceres, MT, o valor a prazo da boiada gorda subiu para R$ 192/@, a prazo, o mesmo preço registrado na praça de Tangará. Em Cuiabá, o boi à vista vale R$ 188/@, de acordo com a FNP.

No interior de São Paulo, o valor da arroba do boi se mantém firme, mas andou de lado nesta segunda-feira, diante do menor interesse comprador. Na região Noroeste do Estado, o animal terminado é vendido a R$ 204/@, com prazo de 30 dias para pagamento.

Na região Norte do País, os preços de boiada terminada apresentaram ajustes negativos de maneira quase generalizada. Segundo a FNP, a maior parte das indústrias da região conseguiu estender as suas programações de abate para a terceira semana do mês e, com isso, diminuiu a sua atuação na compra de gado, especulando negócios a preços mais baixos.

Atacado – No mercado atacadista, os preços do corte de bovino se mantiveram estáveis neste início de semana. “Diante dos ajustes positivos da semana anterior, os frigoríficos ainda analisam os resultados das vendas no último final de semana para se posicionar e traçar uma melhor estratégia de venda de carne e compra de gado para abate”, justifica a FNP. (FONTE: DENIS CARDOSO / Portal DBO)

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